Currículo

Marco Mendes di Siervuli

 

 

Perfil Artístico

Textos

Segmento: Artes Plásticas: Escultura

 

 

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Categoria Literária: Artes Plásticas

Título: A escultura de Marco Mendes, enérgica expressão de vitalidade e de movimento

Comentários: O Artista Marco Mendes é mineiro. Artista plástico autodidata, escultor, escritor e produtor, produziu inúmeras peças teatrais. Participou de das seguintes exposições coletivas e individuais: 51°, 52°, 53° e 54° Salão Oficial da Sociedade de Belas Artes "Antônio Parreiras", Juiz de Fora, MG (2001, 2002, 2003 e 2004); Espaço Cultural do Park Idiomas, Uberlândia, MG (2001); Mostra de Artes Plásticas de Guarulhos, Centro "Professor José Ismael", Guarulhos, SP; (2001e 2003); XVIII Salão de Artes Plásticas de Mococa, Museu "Quirino da Silva", Mococa, SP (2001e 2003); Salão de Marinha da Sociedade de Belas Artes "Antônio Parreiras", Juiz de Fora, MG (2001, 2002 e 2003); "Semana de 22", Galeria de Arte "Antônio Parreiras", Juiz de Fora, MG; VIII Concurso de "Arte Livre Saint Germain", Elmi Ateliê & Galeria, SP (2002, 2003 e 2004); Salão Internacional de Pintura 2002, Academia Nacional de Artes Plásticas, Centro Cultural da URCA, Poços de Caldas, MG; Matizes em evidência, Elmi Ateliê & Galeria & Consulte Arte e Decoração, SP (2002); Salão da Natureza Morta da Sociedade de Belas Artes "Antônio Parreiras", Juiz de Fora, MG; "La Magnifica", Espaço Cultural Infraero em com a Galeria Spazio Surreale, Aeroporto Internacional de Guarulhos, SP; VIII Salão Bienal de Artes Plásticas de Santo Amaro, Biblioteca Presidente Kennedy, SP (2003); Salão Internacional da Academia Nacional de Artes Plásticas, Centro Cultural da Urca, Poços de Caldas, MG (2003 e 2004); "Coração e Arte II", Espaço Cultural Incor, em parceria com a Galeria Spazio Surreale, SP; II Mostra Darcy Penteado de Arte, Espaço Cultural da Alliance Française, em parceria com a Galeria Cassiano Araújo, SP; Salão de Artes Plásticas da Associação dos Artistas Plásticos de Santo Amaro, Hall Monumental, Assembléia Legislativa, SP (2004).

Texto:
O que gera a densidade de expressão na obra de Marco Mendes é a dupla e estranha coexistência do sentimento de natureza com o sentimento urbano. Essa coexistência repousa sobre sua experiência com uma natureza selvagem e de outro lado, por um estilo elaborado por um certo refinamento calculado.
A escolha temática e de uma estética, susceptíveis para amalgamar ativamente os vários materiais que a natureza lhe oferece, opera intuitivamente no trabalho criativo desse escultor. Esse envolvimento no corpo, no movimento da natureza e da paisagem agreste constituem uma das importantes direções adotadas por sua energia artística. A outra é a busca de um obstáculo significativo.
"É o obstáculo que excita o ardor", são os dizeres que se encontram no brasão da família do poeta alemão Rainer Maria Rilke. Resultado de uma certa ambivalência, face aos diferentes ambientes entre os quais Marco Mendes divide o seu tempo, encontramos em suas obras a característica da bipolaridade entre a natureza e o urbano.
Sua expressão artística não se embaraça por essa divisão. Ao contrário, constitui uma forte e densa unidade que vai ao encontro do observador. Ela funda-se, a partes iguais, sobre o sentido da natureza e o da gravitação, os quais evoluem, com maestria, no fluxo da energia dos elementos.
Na escultura de Marco Mendes, a natureza tem como contraponto a cultura. Os materiais ligados a natureza podem, a qualquer momento, franquear o passo e penetrar nos mitos conhecidos ou desconhecidos. Seu sentido da paisagem, da fusão do corpo e da natureza, da vegetação e das rochas, tudo isso não constitui para o escultor um problema técnico.
"Abaô", escultura em pedra sabão e metal, doada ao Acervo Artístico da Assembléia Legislativa, representa o encontro entre uma intensa implicação emocional e a busca do obstáculo que provoca a chama criativa. Ambas souberam se adaptar inteligentemente. Na quase totalidade de suas obras, domina uma estética orgânica, uma enérgica expressão de vitalidade e de movimento e uma combinação de força e precisão.
Acervo Artístico - Emanuel von Lauenstein Massarani

 

 

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Categoria Literária: Poesia

Título: Borralho

Comentários:

Texto:
Quando ainda estudante, andando pelas terras da fome, da sede, do descaso governamental e do curral político, tive a oportunidade única de sentir isso:

De que me importa essa solidão,
se lá fora somente há solidões.
De que me importa essa fome,
se com sono estou.
De que me importa essa colheita,
se seu fruto não tem terra.
De que me importa essa noite,
se lá adiante há um crime.
De que me importa essa angústia,
se com juras me envolvo.
De que me importa essa dona,
se seu coroné não me é...
De que me importa...

Quando o marraco finca a terra,
e o suor escorre feito sangue,
Chega o começo nascente,
de um solo sofrido,
dentro de um cabra do vivo.

Quando o marraco se arranca da terra,
o corajudo até treme,
Como se estivesse com medo da própria terra,
no escaldo dessa solação.

Na sacola um maio de cachaça,
no embornal farinha.
Engana bucho até quando?

A cada amanhecer a fé em Deus,
e a reza bruta do trabaio.
Viver, e viver, e mais viver sem nada pedir.

Remediar o sofrimento,
comendo a vida,
da mesma forma que o sol,
come essa terra de farta d’água.
Plantar a terra a cada dia
e nunca saber da morte.
Desmentir a cada momento
essa mentira do sertão
de deixar a terra.

Coser o linho fugaz
de esperança eterna.
Chorar na viola porreta,
descanso e mesa
no entardecer desse meu sertão.

De que me importa agora
Se de loucura vive esse povo.
Quem se importa?
E também, de que me importa.

Donde vem essa brisa?
Do mar
Não conheço.
Do sul
É desejo.
É ilusão de amargura.
É inveja de felicidade.

Findo aqui meu sonho
Sem chorar nos olhos da mulher amada.
Com esperança na fresta de luar
Semente, somente, mente não semente.

Vem de algum lugar
Surja do nada.
Não deixe meu povo pitar macaia.

Não quero acalento
Nem mogangas políticas.
Mais que animais, são gente
Com rugas e calos de te.

 

 

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Categoria Literária: Poesia

Título: CORRUTELA

Comentários:

Texto:
Naquela noite
Ainda que com cautela
Acertei meus erros,
Passei meus fracassos adiante,
Apaguei pensamentos presentes,
Fiz as malas
E fui embora.
Nem tive dó da minha alma.

E agora!

Nesse momento
Nessa corrutela
Sem ternura e bondade,
Sinto novamente aquela noite,
Em que projetei
Se não minha mentira
De pecar, e pecando ficar
Tanto bem como mal.

E agora!

Perplexo me vejo parte...
Parte desse mundo animal.
Impossibilitado e decadente.
Político nascente
Que artista queria ser.
De alma errante
E rabo quente
Tal capeta na gente.

E agora!

Nessa noite
Ainda que sem cautela
Errei meus acertos,
Voltei adiante meus fracassos
Revolvi pensamentos passados,
Refiz as malas
E voltei.
Nem tive dó da minha pessoa.

 

 

 

 

 

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