Currículo

Mauricio Duarte

 

 

Perfil Artístico

Textos

Segmento: Artes Plásticas: Pintura

 

 

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Categoria Literária: ficção

Título: Apartamento 606 . questionamentos

Comentários: ficção pop romanceada.

Texto:
Antunes, o porteiro



As pessoas logo começaram a falar. Não sei como elas conseguem perceber tal coisa. Talvez nós mesmos, com nossos gestos e atitudes hesitantes tenhamos nos traído. Ou talvez tenhamos esquecido uma foto comprometedora em algum lugar, não sei. O fato é que todos falavam e nós sabíamos disso. Tivemos certeza outro dia, quando o porteiro entregou
as cartas endereçados ao nosso apartamento a Andréia. Segundo ela, Antunes, o porteiro, usou de uma “frieza cavalar” ao entregá-las.
Retruquei dizendo que “os cavalos não são frios”. De onde ela tinha tirado essa idéia? Se os cavalos tornam-se frios é pelo contato com o ser humano. O animal doméstico imita o dono e assim também acontece aos cavalos.
De qualquer forma, Antunes sabia de alguma coisa. Fingimos durante algum tempo não nos importar. Afinal, o que mudaria a partir daí? Nada. Desde muito tempo nosso amigo porteiro estava inteirado de nossas inclinações anarquistas e a despeito disso sempre nos tratou com o maior carinho. Chegava mesmo a me cobrar uma revanche numa partida de xadrez que tínhamos tido numa ocasião. Nossa intimidade não era pequena. Portanto não era porque tínhamos idéias pouco convencionais em matéria de política que ele se mostrava frio.
Valéria logo disse que seria melhor nos afastarmos de Antunes durante algum tempo. Ao que eu, Gustavo e Andréia, fomos contra. Isso só confirmaria as suspeitas, no caso de serem apenas suspeitas, ou nos tornaria culpados com c maiúsculo no caso dele realmente saber.
Por fim, cada um de nós trouxe à baila uma experiencia onde as pessoas do prédio comportavam-se de forma diferente conosco. Como eu disse antes, tentamos fingir que nada acontecia. Isso não nos incomodou muito ou pelo menos não o bastante para decidirmos fazer alguma coisa a respeito. Continuei a viver a minha vida como sempre. Trabalhando durante o dia, descansando à noite e nos fins de semana. Assim também aconteceu aos outros.
Sempre esperamos, que pequenas coisas no nosso cotidiano nos dêem a indicação ou pelo menos a impressão, de que somos especiais. Desde o mendigo mais sujo e maltrapilho até o empresário mais bem-sucedido essa é uma constante. Todos se mostram arredios e contrariados a qualquer coisa que mostre a própria pequeneza ou mediocridade. Pode ser que este seja um motivo para termos decidido agir como agimos. Eu não sei. O que eu sei é que todo o meu ser me diz que tomamos a decisão certa. Nada me faz sentir tão especial quanto isso. Gostaria de eternizar esses momentos. Eles tem sido tão bons que só posso pensar que não vão durar muito. Algo exterior vai acontecer e nos separar ou um conflito interior vai se desenvolver e fazer com que nosso convívio seja impossível. Ocorrendo ou não o que eu espero e parafraseando um conhecido poeta, que “o amor seja eterno enquanto for livre.”























Eu e os outros



Voltando um pouco no tempo, eu e Valéria começamos a namorar há mais ou menos cinco anos quando eu a conheci num show de rock alternativo. Já naquele dia ela me pareceu alguém misteriosa. O que só veio a se confirmar, duas semanas depois, quando ela se sentiu à vontade para me dizer que era “estudante de ocultismo” e fazia parte de um Cowen de magia negra. Achei excitante namorar uma bruxa, mas não deixei que ela me contaminasse com suas idéias, o que não foi impedimento para nosso relacionamento.
Durante todo o tempo que a conheço sempre tive certeza que se eu me comportasse como eu era realmente, sem tentar melhorar nem piorar nenhuma de minhas qualidades ou defeitos, tudo ficaria bem e nós continuaríamos juntos. Meu nome é Yuri e adoro rock’n roll desde que me entendo por gente. Jogo xadrez como poucas pessoas e me defino como um agnóstico que já teve o niilismo como a sua filosofia durante um bom tempo da sua vida.
Valéria é uma pessoa muito mística e freqüentemente nossas visões de mundo não se encontram, mas quando vamos para a cama tudo se resolve. Parece-me que muito do que nos atraiu mutuamente foi a completa ausência do que muitos definiriam como moral. Não que eu seja mau-caráter. Pelo menos não me considero assim. Também não julgo Valéria desse modo. O que quero dizer é que não ligamos para o que a sociedade pensa. Se achamos certo, fazemos. Sempre foi assim.
Conhecemos Gustavo e Andréia há 3 anos. Eles namoravam há um bom tempo e nós quatro participávamos de um coletivo anarquista no Grajaú. Certo dia conversamos sobre dividir um apartamento. Eu já estava cansado de morar com meus pais e o mesmo acontecia com Valéria, Gustavo e Andréia. Decidimos que seria melhor alugar alguma coisa na Tijuca e assim, foi o que fizemos. Naquela época nem sequer imaginávamos o que viria alguns anos depois.











































Anos 1970



--- Tem muito sal no feijão.
--- É, acho que eu exagerei. Não dá nem para comer, não é?
--- Tem que jogar fora.
--- Vamos comer alguma coisa numa lanchonete.
--- Vocês podem ir. Eu vou me virar com esse biscoito aqui.
---- Tá sem fome?
---- Não to afim de comer muito não.
Eu, Valéria e Gustavo fomos para a lanchonete enquanto Andréia ficou em casa. Comi um chesseburguer com bastante catchup e mostarda e bebi um suco de laranja. Valéria preferiu uma pizza musarella. Gustavo se contentou com um milk-shake e uma porção de batatas-fritas.
--- Quanto tempo não vínhamos aqui, não é? --- disse Valéria com um ar nostálgico.
Nenhum de nós dois respondeu de imediato. Esperamos a poeira assentar antes de acrescentar um comentário. A passagem do tempo, como descrito por Valéria pegou-me desprevenido. Imagino que teve o mesmo efeito em Gustavo.
---- Quase um ano. --- respondi finalmente.
---- Eles colocaram umas plantas na varanda e dentro da lanchonete. E tem esses quadros novos também. --- observou Valéria encantada com as novidades.
---- É. Ficou legal. --- disse eu --- O que não dá pra entender é porque tiraram aquele grande globo estroboscópico que ficava aqui no meio. Aquilo era o grande charme do lugar.
---- É verdade. --- Confirmou Valéria.
---- Mas eu sei porque eles tiraram. --- continuou ela. --- Esperavam que a onda de dance music voltasse com força total. Como não aconteceu, resolveram tirar.
---- Embalos de sábado à noite. Uh-hu. --- falou Gustavo requebrando-se na cadeira para imitar o Jonh Travolta.
Nós tres rimos enquanto saíamos da lanchonete. O passado nos enternecia e o futuro parecia mais brilhante.




































Delícias literárias



A campainha tocou. Entreolhamo-nos com severidade. Quem iria atender? Se fosse Gustavo, era de se esperar que quem atendesse ia receber ao menos um sorriso. Se fosse eu, nem isso. No caso de Valéria atender, uma tranqüilidade misteriosa invariavelmente se apossaria de quem estivesse chamando. Se Andréia abrisse a porta, demoraria algum tempo para sabermos do que se tratava; teríamos que arrancar dela a informação.
No terceiro toque, Valéria se levantou. Levou uns dois minutos conversando com quem estava na porta e depois a fechou, tendo nas mãos uma caixa do correio. Antunes tinha vindo entregar diretamente porque o correio exigia assinatura de recebimento.
Veio toda alegre me mostrar o que era. Um livro do Kama Sutra. Com ilustrações e tudo. Ela tinha comprado pela internet, numa dessas megastores que vendem livros e cds. Todos se interessaram e ela acabou lendo alguns trechos em voz alta.
Depois fomos dormir pois estávamos muito cansados. Durante a noite, Andréia me procurou e eu a satisfiz. Valéria e Gustavo dormiram como anjos.






























O parque da Tijuca



---- Vou até o parque hoje. Alguém vem comigo? --- perguntou Andréia.
---- Tenho que consertar essa cadeira. --- disse Gustavo.
---- Eu e Valéria estamos lendo o livro do Kama Sutra.
---- Por que vocês não o levam para ler no parque?
---- Não quero ir para o parque, não. --- disse Valéria.
---- Vamos ficar por aqui mesmo.
---- Tá bom. Então eu vou sozinha.
---- Vai na frente. Que eu encontro voce lá. É o tempo de eu acabar aqui. --- falou Gustavo, mudando de idéia.
---- Não, pode deixar. Eu vou sozinha.
Assistimos TV e lemos a arte indiana do amor na versão clássica de Richard Burton. Nunca entendi o porque das pessoas acharem tão natural e até, muito louvável, a maioria sempre impor seus desejos à uma minoria que não é abastada. A democracia, tal qual ela é, não passa disso. Mas existem reviravoltas surpreendentes onde uma minoria consegue sobrepor-se a maioria, por suas concepções estarem mais de acordo com a razão. Acho que foi mais ou menos o que aconteceu quando decidimos todos largar o que estávamos fazendo e ir encontrar com Andréia no parque. A idéia foi de Gustavo e ele nos convenceu argumentando que Andréia estava já há muito tempo se sentindo deslocada de nós tres e que necessitávamos mudar isso. Passamos o domingo lá, em meio a grama verde e as árvores.
À noite, quando voltamos para casa, Andréia colocou Night and Day de Cole Porter para tocar no som e dançou com Gustavo durante um bom tempo. Refestelamo-nos à mesa e comemos um bom jantar à base de macarrão com muito molho e peixe assado.












































Sílvia, a vizinha



A semana transcorreu como de costume. Encontravámo-nos à noite depois do trabalho. Naquela altura meu relacionamento com Valéria já não ia muito bem. Imagino que o mesmo deveria acontecer com Gustavo e Andréia. Não se tratava absolutamente de termos enjoado um do outro, muito menos de qualquer discussão que gerasse raiva. Tudo se passava com uma atmosfera de incompreensão. Isto sim. Simplesmente não estávamos mais compreendendo um ao outro como sempre tínhamos feito de maneira tão bela anteriormente.
Fui até o playground do condomínio para sentir o frescor da noite. Aproveitei para fumar um cigarro. Nisso apareceu Sílvia, vizinha nossa do 306. Quando me viu, imediatamente me cumprimentou. Conversou com uns caras que jogavam poquer numa mesinha. Passou alguns minutos com eles. Eu a observava. Depois virou-se e dirigiu-se até mim.
--- Como vai o agnóstico inveterado?
--- Bem melhor do que muita gente que vai à Igreja. Isso eu posso garantir. --- falei dando risadas.
--- Nossa Igreja está organizando uma festa para crianças carentes aqui perto. Quer participar?
---- Ah, não. Obrigado.
---- É um trabalho social. Não foi voce que disse outro dia, que o trabalho social é muito importante?
---- É. Mas não sou muito envolvido nisso. O Gustavo é que participa.
---- Nunca é tarde pra começar.
---- Fica pra próxima.
---- Tá bom. Vou deixar você em paz. Até logo.
---- Até.
A mulher realmente tinha pouca coisa boa na cabeça. Limitava-se às intrigas entre as pessoas conhecidas, do prédio e da Igreja. O que a irritava e consequentemente a fazia grudar-se em mim quando me avistava era a habitual barreira que eu construo entre mim e qualquer pessoa que se aproxima. Tentava, em vão, quebrá-la.
Às duas da madrugada resolvi subir para o apartamento e dormir o resto da noite. Quando cheguei achei que todos estavam dormindo porque a luz estava apagada, mas Valéria estava acordada. Ela me esperava. Queria ter uma conversa.

































Intermitência



---- O que você pensa que está fazendo? -- perguntou ela enraivecida, mas controlando a voz para não acordar os outros.
---- Hein?
---- Já aconteceu pelo menos umas cinco vezes. Vai negar?
--- O quê?
--- Você e ela. --- disse apontando para o quarto de Andréia e Gustavo.
--- Eu e Andréia? O quê?
--- Não se faça de sonso. Vocês tem feito sexo.
--- Não. – disse eu veementemente.
--- Como não? E você acha que eu não escutei os gemidos dela aqui no sofá da sala?
--- Nada disso aconteceu.
--- Você acha realmente que eu sou uma idiota, não é?
--- Valéria, por favor. Você vai acordar os outros com essa besteira.
--- Ah, é uma besteira, não é?
--- Quer saber, é. É uma besteira. Não significou nada pra mim.
--- Ah, é? E pra mim. Você pensou no que poderia significar pra mim?
--- Olha, Valéria. Eu gosto de você. Eu te amo. Mas às vezes essas coisas acontecem.
--- E se acontecer comigo?
--- Tudo bem. Não muda nada.
--- Tá bom. Mas lembre-se: Não fui eu quem começou.
Fazer uma cena dessas não fazia nenhum pouco o gênero de Valéria. Mas alguma coisa tinha despertado o lado possessivo dela. De qualquer modo, tudo se resolveu ou pelo menos eu achava que tinha se resolvido. Naquele dia fui dormir com a cabeça quente.
Amanheceu. Era Sábado e eu passei os dedos pelos meus CDs de rock, tentando buscar alguma coisa que me aquietasse o espírito. Gustavo e Andréia faziam meditação na linha do guru indiano conhecido como Osho. Valéria lia o Kama Sutra, compenetrada. Peguei meu walk-man e decidi-me por ouvir um pouco de “Nenhum de Nós”.
Foi reconfortante perceber que pouco ou nada se faz hoje de tão bom quanto o que se fez ontem em matéria de música. Se por um lado, isso não me dava boas perspectivas para o futuro, pelo menos fazia-me superior às gerações posteriores à minha.
--- O que cê tá ouvindo? -- perguntou Valéria, no que me pareceu um movimento sinceramente cordial.
Passei um dos fones de ouvido para ela. Após alguns segundos, ela sorriu e disse que também gostava daquele conjunto. Assegurei-lhe de que os acordes de “O que Clark Kent não viu” compunham um dos melhores rocks que eu já tinha escutado em toda a vida.
Aquele momento lembrara-me do tempo em que eu fazia parte de uma banda. Éramos cinco no total. Lima, Clóvis, Chico, Marcos e eu. Tocávamos em qualquer buteco que pagasse no mínimo nossa passagem e o que gastávamos com comida, às vezes nem isso. Muito unidos, nós contávamos uns aos outros todas as nossas façanhas sexuais. Foi nessa época que tive minha primeira trepada. A menina tinha mais experiencia do que eu e por isso, obrigou-me a verdadeiras estripulias porque eu não podia, de maneira nenhuma, deixar que ela suspeitasse de minha virgindade. Para “provar” que eu sabia o que estava fazendo, exagerei na dose e acabei me esquecendo completamente da penetração, concentrado que estava nas devidas preliminares. Foi apenas com as várias e insistentes súplicas da garota para que eu consumasse o ato que acordei do meu estado de extase orgástico por estar diante de um corpo de mulher nu.
Havia um clima pesado no ar porque todos passávamos por problemas financeiros. Eu estava endividado no cartão de crédito. Valéria se esforçava para pagar um empréstimo do qual restavam juros. A situação de Gustavo e Andréia era parecida. O sábado foi passando devagarinho e resolvemos beber um pouco para esquecer do que nos afligia. Depois de alguns goles de cachaça, todos estávamos bem animados e não lembrávamos mais de nenhum fantasma das finanças. Puxei uma cadeira no centro da sala e propus um jogo de xadrez. Todos dispensaram dizendo que eu era muito bom e certamente iria vencer, o que tornava o jogo muito chato. Ao invés disso jogamos buraco. Já era de manhã quando deixamos as garrafas e as cartas de lado e fomos dormir. Quando acordei passava das 14:00 e Andréia estava nua deitada por cima de mim. Comecei a me lembrar vagamente do que tinha ocorrido durante a nossa “manhã de sono”. Minha primeira providencia foi me levantar e vestir as calças. Depois me dirigi até a cozinha atrás de mais um gole de 51para curar a ressaca. Procurei Valéria por toda a casa e não a achei. Foi quando percebi a porta do quarto de Gustavo entreaberta. Quando entrei ele e Valéria se surpreenderam e pararam de transar. Desculpei-me dizendo que não queria atrapalhar e saí do quarto. Decididamente, nossas relações de amizade estavam ainda mais liberais do que já eram.





























Sérgio, o administrador



Meu emprego como assistente administrativo não exigia muito de mim. Tudo o que era necessário consistia em saber agradar quem fosse receber o meu relatório sobre as condições de funcionamento do setor de verbas da Universidade. Se o analista fosse muito rigoroso com relação aos aspectos técnicos, eu os detalhava minuciosamente; se o analista desse muito importância à comunicação dos diversos órgãos, eu dava ênfase a esse aspecto e assim por diante.
Mesmo assim, a monotonia do cotidiano causada pelo próprio caráter do cargo, trazia-me sérias dificuldades. Sentia-me, muitas vezes, esmagado pelo constante nonsense da prática administrativa.
--- Como está a Valéria?
--- O que?
--- Como vai a Valéria?
--- Bem. Muito bem. Vamos combinar... um dia para sairmos juntos?
--- Vamos. Mês que vem fica melhor pra mim.
--- Tá legal.
Certo dia, durante o turno da manhã, houve várias mudanças na sala em que eu trabalhava. Vários armários foram retirados, cadeiras e mesas trocaram de lugar, entre outras coisas. Tivemos tanto trabalho que só pude almoçar ou melhor, comer algo que correspondesse ao almoço, às 3 da tarde. Normalmente isso não acontece em nenhum serviço público, como sabe qualquer um que tenha vivido essa rotina, mas todos na unidade estavam imbuídos de um franco sentido de colaboração. Esse espírito durou um dia ou dois, no máximo e a entrada do nosso novo chefe era responsável por isso. Ele costumava dizer que seu lema é “todos por um e um por todos”. O homem era um poço de entusiasmo. Era até difícil imaginar uma pessoa como ele integrado num sistema tão burocrático, inoperante e modorrento como o de uma Universidade brasileira. Mas a despeito de tudo isso, lá estava ele, contagiando a todos enquanto fazia piadas. Em geral piadas de português.
--- Manuel andava na rua quando derepente sentiu que lhe jogaram uma pedra no peito.
--- E aí?
--- Olhou para trás para ver quem era.
--- Essa não teve graça, Sérgio.
--- Isso é porque você é descendente de português e não entendeu ainda. Semana que vem você vai começar a rir.
No final das contas, acho que esse entusiasmo todo mais atrapalhava do que ajudava. E ele, como qualquer um, aliás, teve que perceber, depois dos dois dias de começo, que “a banda não toca desse jeito.” O problema com a administração é que é importante demais para se deixar a cargo dos administradores. Numa sociedade anarquista, todos estariam envolvidos no processo de gestão do que quer que fosse, criando uma verdadeira cooperação entre as pessoas e não um arremedo de trabalho mútuo como esse que se instala em qualquer repartição pública.
Naquele dia eu cheguei em casa cansado e com fome porque tinha trabalhado até às 3 horas da tarde e por isso, “almoçado” um sanduíche que não tinha me satisfeito em nada. Fui até a cozinha e encontrei Gustavo tomando uma cerveja. As meninas tinham saído.
--- Passei o dia à base de sanduíche.
--- Viva o american way of life!
--- É. Isso faz mal à saúde.
--- Que nada, rapaz. Voce se acostuma.
--- Por falar em se acostumar. --- disse eu enquanto pegava queijo na geladeira e pão no armário. --- Você se acostumou com o ronco da Valéria?
--- A menina ronca mesmo. Mas diga lá: Ce ficou chateado por a gente ter se relacionado?
--- Não. Que é isso? Eu só to querendo esganar você, meu caro.
--- Ah, o que é que há? Vamos brigar por causa de mulher?
--- Eu não sei se você entendeu, compadre. Eu e Valéria estamos tentando construir uma coisa séria, uma família.
--- E você acha que eu não penso nisso? Eu também quero ter uma família algum dia, cara. Mas não sei se vai ser com a Andréia. Só o destino vai dizer.
--- Destino?
--- É. Destino.
--- Isso tem a ver com o Osho também?
--- Não, Yuri. Isso tem a ver comigo. Agora, me diga uma coisa irmãozinho, porque é que você tá com tanta raiva assim se foi você quem comeu a minha namorada primeiro?
---- Ë diferente. Ela que me procurou.
--- Diferente por que? Foi a Valéria que me procurou também. Relaxa, irmão. Não vale a pena discutir por causa de mulher.
---- É. Tem razão. Daqui a pouco as duas estão aí de novo. Não vamos dar bandeira para elas perceberem que andamos discutindo, falou?
--- Falou irmãozinho.




























Aline, a internauta



Numa de minhas incursões pela internet, topei com um site bem interessante: Arautos do Ceticismo. Podia até ser nome de banda punk, mas era o nome do site. Tratava de assuntos relacionados à ateísmo e agnosticismo, além de ter um chat. Altos papos rolaram lá.
Mensagem postada em 21/10/2004:
Igreja protestante admite membros gays
Achei muito legal a iniciativa do pastor gay Leonardo de Castro e Silva que resolveu abrir uma igreja para gays, lésbicas e bissexuais. Isso só vem a mostrar que a palavra de Deus está aí para todos, sem exceção...
Aline Seixas

Mensagem postada em 23/10/2004
Hipocrisia da igreja
Muito pelo contrário, minha cara Aline. Isso só vem a mostrar que a Igreja aceita tudo e todos sem exceção, desde que dêem o dízimo devidamente. Todos os bons costumes, tradições e dogmas caem por terra quando o interesse é atingir mais fiéis. Tudo o que eles (os religiosos) desejam é aumentar sua esfera de influência seja lá por que meios. Acho essa medida extremamente reacionária na medida em que segrega os gays e lésbicas numa só igreja, quando eles deveriam ser aceitos em qualquer igreja. Para dizer a verdade, igreja e religião só serve para segregar as pessoas, separá-las umas das outras, dando-lhes um rótulo.
Yuri Cardoso dos Santos

Mensagem postada em 28/10/2004
A mídia e a sua guerra
Yuri, você como a maioria dos que estão aqui nesse chat, se mostram extremamente liberais para com as minorias para dizer que estão do lado do bem, enquanto nós, os “religiosos” somos o mal. O que você e os outros não querem enxergar é que a mídia está diretamente ligada à uma grande campanha contra as religiões, destinada a tornar a todos melhores consumidores, sem os “entraves” que uma pessoa espiritualizada tem quando vai comprar alguma coisa, assistir um programa de TV, ir ao cinema, etc... Pense um pouco antes de falar besteira, afinal de contas você tem que dar o exemplo de bom moço para as pessoas pensarem que você está do lado do bem. Veja, nós estamos numa guerra. A palavra de Deus foi revelada para toda a humanidade. Foi para você também. Ainda está em tempo de se converter. Não fique do lado da mídia.
Aline Seixas


Mensagem postada em 1/11/2004
A verdadeira guerra

Você me faz rir com o seu apelo sentimentalóide, Aline. Estamos numa guerra sim minha cara, mas ela é bem diferente do que vocês, religiosos, pintam. O confronto não é dos ateus e agnósticos contra os religiosos. Nem da mídia contra os religiosos. O confronto é muito mais amplo, é daqueles que desejam uma nova civilização, uma nova humanidade, livre dos preconceitos, ajustamentos e tradições que nos levaram até onde estamos hoje, ou seja, um mundo cheio de violência, avidez, incompreensão e desequilíbrio contra aqueles que desejam manter esse mesmo estado de coisas porque estão ganhando dinheiro com isso, os poderosos, sejam eles religiosos ou não.
Só coloco as religiões no meio desses poderosos porque o uso que eles fazem da espiritualidade traz mais violência e destruição para o mundo. Religiões institucionalizadas servem para que, senão manter uma tradição? Ritos, costumes e rezas não fazem de ninguém uma pessoa espiritualizada. Eu, com meu agnosticismo pragmático, me considero muito mais espiritualizado do que qualquer católico, protestante, budista, muçulmano, etc...
Yuri Cardoso dos Santos

Mensagem postada em 4/11/2004
Converta-se enquanto é tempo...
Deus está vendo o que você está dizendo e Ele é o juiz de todos. Se até mesmo lésbicas e gays se converteram, porque você não o faz? Por acaso é melhor do que eles? Seja humilde, admita que existe uma consciência superior que tudo criou.
Aline Seixas
Não respondi à última mensagem da menina. Era covardia, porque eu comecei a escrever e vi que não ia parar enquanto não destruísse todo o castelinho de areia que ela tinha criado através da fé cega. Resolvi deixá-la na ilusão.










































Família



Cada dia que passava eu tinha mais impressão de que tudo no meu relacionamento com Valéria havia mudado muito. Antes, raramente conversávamos sobre planos futuros para uma família, uma casa, filhos e tudo o mais. Naquele momento nem esses momentos raros aconteciam mais. E por mais melodramático que seja, eu gostava daquelas conversas, faziam falta, porque me traziam aquilo que muitos definem como “esperança no futuro”.
--- Que horas você vai ?
--- Daqui a meia hora.
--- Não esquece de trazer pimentão.
--- Não precisa de mais nada?
--- Cebola, alho... Tudo que está escrito nessa lista que eu te dei.
--- Ah, tá.
Choveu bastante naquele dia. Foi tanta água, que eu simplesmente esqueci de comprar àquilo que Valéria tinha pedido. Ela não me perdoou. Nossa discussão foi bem mais longe do que prevíamos. Acabou com um machucado na minha cabeça, fruto do arremesso de uma embalagem de perfume da parte de Valéria e um tapa bem dado na cara dela da minha parte. Gustavo e Andréia chegaram depois, perguntando o que tinha acontecido.
--- Nossa, rolou um barraco legal aqui. --- disse Andréia rindo e tentando amenizar as coisas.
--- Desculpa Valéria. --- falei eu, quando me dei conta de como ela estava amuada por causa do tapa. --- Minha cabeça tá doendo até agora.
---- Bem feito. --- disparou ela.
---- Não vai ficar chateada comigo por causa disso, vai?
---- Vou sim. --- disse correndo para o quarto.
Não tive coragem de ir atrás da menina. Achei melhor esperar um tempo até que esfriasse a sua raiva. Andréia foi até lá consolá-la, enquanto eu e Gustavo ficamos conversando na sala. É interessante notar como pequenas coisas provocam um verdadeiro turbilhão quando não colocamos para fora grandes coisas que nos atormentam. Havia caído um senhor temporal. Ainda que eu não tivesse esquecido de comprar o que ela pediu, como acontecera, mas se eu tivesse simplesmente desistido de passar no supermercado por causa da chuva, não seria motivo para Valéria discutir comigo, muito menos ficar brava a ponto de jogar um vidro de perfume na minha cabeça. Nada mais natural, em vista das circunstâncias, que a minha reação tivesse sido aquela: dar-lhe um tapa no rosto. Tudo aquilo era desconcertante porque eu não sabia discernir o que estava nas entrelinhas do que estava escrito. Eu sabia que nossa relação tinha mudado, mas não sabia o porquê nem a causa. As conseqüências é que se mostravam claramente.
Eu e Gustavo resolvemos jogar uma partida de vinte e um, o que se arrastou depois em várias partidas de buraco. Ganhei a maioria delas. É como dizem: “sorte no jogo, azar no amor”.
--- Longe de mim querer me intrometer na sua vida, mas, diga lá, porque não foi trabalhar ontem? --- perguntou Gustavo com cuidado para não ferir minha suscetibilidade aflorada pela briga com minha namorada.
--- Não estava com vontade. Está cada vez mais chato.
--- Desse jeito, logo, logo, teremos um novo desempregado no mercado.
--- Vou arranjar uma receita médica com aquele amigo meu.
--- Tem dia que é melhor nem sair de casa mesmo. Aí, irmãozinho, não quer trocar de emprego comigo, não?
--- Eu troco. Seu emprego não é tão chato quanto o meu.
--- Você acha? Acha que ficar de frente para um computador, digitando o dia inteiro não é um pé no saco? É muito chato, cara. Só não é mais chato porque eu não deixo.
--- Eu preferiria ser digitador do que assistente de administração.
--- No final das contas, é tudo a mesma merda. Todos os empregos possíveis e imagináveis servem para sustentar uma elite poderosa que sabe que têm um milhão atrás do seu cargo e por isso você faz tudo muito direitinho para agradar o patrão. Um dia isso tudo vai acabar, um dia vai ter que acabar.
--- Enquanto esse dia não chega, eu vou fugindo do trabalho quando ele se torna insuportável.
--- Esse teu amigo não me arranja uma receita, não?
--- Arranja, ué. Só passar lá, diz que me conhece.
---- É o que eu vou fazer qualquer dia desses.








































Conclusões e especulações



Todas as religiões não passam de uma grande mistificação. Um monte de blá, blá, blá muito bem articulado em torno de figuras bem carismáticas como Jesus, Buda ou Moisés. Sinto vontade de vomitar toda vez que me falam deles. São como cadáveres em eterna decomposição. Os líderes religiosos não têm nenhuma diferença dos políticos porque ambos usam a boa fé, --- ou seria a estupidez? -- dos fiéis assim como dos eleitores, para adquirir fama, prestígio e poder e ambos causam desgraça e divisão no mundo.
Daqui a 2.000 anos bastante do que falamos hoje pode ser devidamente absorvido pelo sistema se for transformado em religião. Ironia, das ironias, uma religião, com seitas e adeptos pode muito bem surgir em torno de Mikhail Bakunin. O futuro do anarquismo como movimento político seria desvirtuado de maneira bem conveniente se isso ocorresse.
Existem algumas pessoas sérias que são religiosas, não nego isso. Mas são muito poucas porque não é possível se comprometer com um sistema que delega todo o destino humano a uma suposta consciência superior e permanecer sério. Qualquer um que esqueça da racionalidade para apostar na fé, está se enganando, quer se enganar.
A racionalidade é a base de todo e qualquer entendimento da realidade. É a partir de uma mente racional que se constrói a união da raça humana em torno de um objetivo único, a paz. Racionalidade que é bem diferente do cientificismo do socialismo e da tecnocracia que foi construída tanto pelo comunismo quanto pelo capitalismo. Racionalidade que está muito mais relacionada com o sentido de comunidade e de liberdade.
O fascismo é o regime predileto dos religiosos. Apela para a fé cega em torno do Estado, assim como se faz em torno da Igreja. É sempre em nome da divindade ou da segurança do bem comum através do Estado que se cometem os maiores crimes contra a humanidade. Humanidade essa que muitas vezes faz por merecer tanta violência. Certos dias sinto vergonha de pertencer à humanidade, vergonha de ser um ser humano. Todos são hipócritas, querem pertencer sempre à uma classe superior à que pertencem, e por isso pisam na cabeça dos outros sem o menor pudor porque o homem nasceu para a glória e isso é uma graça divina, como ensina o protestantismo. O catolicismo não fica atrás e enche seus fiéis de culpa por serem pecadores. Tanto um quanto outro, só preparam caminho para o patrão passar com toda a sua parafernália, todos mantém o status quo muito bem nutrido.
A maioria das pessoas deveria andar com uma placa na testa escrita: Sou um imbecil! É o que são. O tempo inteiro alimentam um sistema que os torna neuróticos e nunca se dão conta disso. Toda a pretensa boa vontade das autoridades desaparece por completo quando negamos a eles o voto, o dízimo ou o que é muito mais importante, nossa fidelidade. Se as pessoas percebessem esse detalhe, deixariam de ser imbecis.



















Noitada



Tremenda quarta-feira. Depois do serviço fui para casa esperando algum sossego. Quando cheguei me deparei com a cena digna de Calígula, se ele fosse mulher. Valéria e Andréia nuas dançavam embaladas por uma música da Madona a toda altura. Entre uma rebolada e outra, elas se beijavam e ao que parecia bebiam feito loucas. Riram um bocado quando me viram. Após algum tempo paradas e um pouco envergonhadas, continuaram a dançar. Ia perguntar o que estava acontecendo mas refleti por um momento e resolvi ficar calado e me dirigir para o quarto. Guardei minha pasta e troquei de roupa. Quando voltei para a sala, as duas me agarraram e me beijando, me fizeram dançar junto com elas. Bebemos muito naquele dia. Misturei cerveja com licor de pêssego e um pouco de cachaça, o que me deixou totalmente grogue.
Quando Gustavo chegou, eu já tinha transado com cada uma pelo menos umas duas vezes e elas continuavam querendo mais. Como eu não podia mais satisfaze-las, foi a vez dele. Eu assisti a tudo, entornando mais um copo de cerveja.
Não posso dizer que me sentia à vontade com aquilo. Na verdade não era nada confortável. Mas as meninas estavam numa espécie de catarse, o que acabava me contagiando também, no final das contas.
--- Gostou da noitada, gatão? -- perguntou Valéria quando terminamos.
--- Gosteeei. Foi realmente ... animador. --- disse eu sorrindo. --- Só me preocupo com amanhã. Não sei como vou conseguir acordar para trabalhar. Essas coisas, a gente tem que fazer no final de semana.
---- Essas coisas acontecem. Assim... sem hora nem lugar.
---- É. Deixa eu te perguntar uma coisa: Voce já fez isso antes?
---- Não. Porque?
---- Nada. Só pra saber.
---- Acha que eu sou uma puta?
---- Não foi isso que eu disse. Eu só perguntei...
---- Ah, deixa para lá. Não quero brigar contigo. Vem cá, me abraça.
Dormimos até as 11 horas da manhã e eu tive que dizer que tinha estado doente no serviço, o que não era tão difícil de acreditar, dada a minha aparencia horrível.


































Corte



Não posso descrever o que acontecia conosco como habitual. Era mais uma coisa que ocorria quando nossos nervos tinham chegado a um estado de tensão tal que era preciso aliviá-los de alguma forma. Era o que fazíamos quando rolava o sexo grupal. O fato de que todos nós tínhamos apresentado uns aos outros o teste de AIDS negativo pode sugerir que nós de antemão planejávamos isso, o que não é verdade, por incrível que pareça. Quando pensamos no teste de AIDS foi para salvaguarda de um possível acidente doméstico, como um corte por exemplo, situação na qual um aidético é potencialmente perigoso para aqueles que vão tratá-lo.
De maneira nenhuma o “amor livre” que praticávamos era algo corrente no meio anarquista ou em qualquer outro meio de que fazíamos parte, de modo que uma grande mudança operou-se em nossos comportamentos quando nos demos conta do que havíamos feito. Eu evitei encarar muito diretamente o semblante de Andréia e Gustavo durante algum tempo. Havia um certo constrangimento entre nós que por outro lado, me uniu mais a Valéria. Voltamos às conversas habituais sobre família, casa, etc... Acredito que o mesmo se verificou com Gustavo e Andréia, de um jeito ou de outro.
É óbvio que muito do que acontecia era fruto da nossa peculiar situação. Estávamos todos na faixa dos 30 e poucos anos de idade e diga-se de passagem nenhum de nós tinha inclinação para fantasias sexuais mirabolantes ou estranhas, mas ao contrário da maioria das pessoas não nos importávamos com a moda, não éramos consumistas, não nos agregávamos a nenhum partido político e nem nossa relação com a religião era convencional. Isso tudo nos uniu muito, ao mesmo tempo que nos afastou das outras pessoas. O que voce faz quando encontra alguém cuja relação contigo não pode se basear na amizade nem na inimizade e muito menos na indiferença? O que voce faz quando torna-se claro que essa relação é tão vital que voce não consegue nem mesmo fingir um sentimento? Só resta como última alternativa amar esse alguém. Era o que fazíamos. Isso não é sentimentalismo, é uma constatação. Não podíamos nos contentar em ser apenas dois casais amigos porque já fazia tempo que o grau de intimidade ultrapassara essa classificação. Não podíamos simplesmente nos separar porque já estávamos por demais acostumados uns com os outros. Por fim, não podíamos fingir que nada estava acontecendo, porque não ia funcionar. Para aqueles que acreditam que o amor só é possível a dois e é um sentimento exclusivista, argumento que nos tornamos extremamente exclusivos em nossa relação a quatro. Nosso mundo social passou a se resumir ao nosso apartamento, as redondezas e aos locais onde costumávamos ir.
Não quero, de maneira nenhuma, figurar de santo da situação, mas não foi eu e, por sinal, também não foi Gustavo quem começou tal prática. Valéria e Andréia estavam dançando bêbadas quando eu cheguei em casa e daí tudo surgiu. Pode-se, sempre, afirmar que o que elas fizeram foi simplesmente fazer o que todos nós inconscientemente já desejávamos, como no ditado que diz: “a sociedade comete os crimes, os criminosos apenas os executam”, mas sinceramente não consigo “inocentá-las” do que ocorreu. Aliás, se formos retroceder mais ainda, veremos que primeiro Andréia se insinuou para mim e depois foi a vez de Valéria fazer o mesmo com Gustavo. Podíamos ter rejeitado-as? Qual o homem que resiste a tentação? E ademais, sabemos do que uma mulher é capaz quando quer transar. Isso não tem nada ver com machismo, apenas coloco um fato que até mesmo as próprias mulheres admitem: Um homem com desejo sexual pode não conseguir o que quer, mas uma mulher nessa situação certamente vai atingir seu objetivo. As mais dissimuladas poderão até dizer que isso só acontece porque sempre tem um homem disponível, mas isso não quer dizer nada, o fato é: elas querem, elas conseguem e ponto final.

 

 

 

 

 

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